Análise Técnica por Fausto de Arruda Botelho
 

São Paulo, 02 de Agosto de 2005

O Índice Bovespa à vista deve subir 100% até início de 2006!

Por Fausto de Arruda Botelho


Reprodução permitida desde que integral.
Veja aqui a análise anterior de 22/03/2004

A análise
Após o rompimento da importantíssima resistência ocorrido hoje, o Índice Bovespa deverá ter uma alta expressiva devendo chegar ao nível de US$ 23.000,00 no início de 2006. Este valor equivale hoje, com base na taxa de 2,40 Reais por Dólar à R$ 55.000,00 (*), significando uma variação de pouco mais de 100%.

Uma boa análise técnica começa com o gráfico de longo prazo (o mais longo possível), para que possamos entender as tendências primárias do ativo para o qual se quer prever o comportamento futuro dos preços, e assim sendo, vamos analisar inicialmente a Figura 1 onde está plotado um gráfico diário do Índice Bovespa, indexado (trazido a valor presente) com base no dólar comercial e em escala logarítmica.

Por que o gráfico em dólar?
O gráfico indexado em dólar é utilizado para a análise uma vez que o autor acredita que no longo prazo principalmente (no curto prazo não faz tanta diferença) as tendências se comportam de maneira muito mais harmônica, ou seja, se comportam de maneira tecnicamente mais ortodoxa tornando-se mais fáceis de serem analisadas, do que num gráfico sem indexação. Ademais, como é sabido, 30% do mercado é composto de estrangeiros que logicamente pensam em dólares e dos restantes 70% existem muitos participantes que também pensam em dólares, mas isto é apenas uma explicação para o fato importante de que os gráficos ficam muito mais harmônicos.

No gráfico abaixo extraído de um terminal Enfoque, os preços são retratados desde 1990 e mostram:

A análise do longo prazo (passado) e o novo ciclo de alta
A primeira análise importante que podemos fazer no gráfico da Figura 1 é a de que ocorreu um ciclo de alta de 1991 a 1997 com 3 movimentos de alta e um ciclo de baixa de 1997 até 2002 com dois movimentos de baixa. Estes dois ciclos se encaixam com uma perfeição impar na Teoria das Ondas de Elliott e nos conceitos de Charles Dow e R.N. Elliott, dois baluartes da Análise Técnica.

Tanto Dow como Elliott concordam e o autor também, que um movimento principal de alta tem geralmente 3 movimentos impulsivos (no sentido da tendência), que são as ondas 1 a 5 de Elliott que podemos facilmente constatar na tendência de 1991 a 1997. Já os movimentos principais de baixa são compostos de dois movimentos para baixo entremeados por um movimento para cima, são as ondas A, B e C de Elliott que também podemos constatar na baixa de 1997 a 2002. Desta forma podemos entender o movimento todo, de 1991 a 2002, como tendo sido um ciclo completo de Elliott que contém as oito ondas I, II, III, IV, V, A, B e C.

Assim sendo temos o cenário para que possa começar um novo ciclo, que é o que acreditamos está ocorrendo, já desde a nossa última análise de Março de 2004. Neste novo ciclo, já tivemos o primeiro movimento de alta, de Outubro de 2002 a Janeiro de 2004, que corresponde à onda 1 de Elliott, seguido por um movimento de baixa de Janeiro de 2004 até Maio de 2004 que corresponde à onda 2 e agora estamos no segundo movimento de alta que corresponde à onda 3.

Quero declarar que não uso a teoria das ondas de Elliott para prever e sim como complemento de minhas análises, no sentido de classificar as tendências acontecidas de modo a ter uma idéia de onde nos encontramos em termos da tendência de longo prazo, na atualidade.

Até onde irá este segundo movimento de alta que corresponde à onda 3 do atual ciclo
Olhando o Gráfico 1 abaixo podemos constatar visualmente, que o primeiro movimento de alta deste que acreditamos ser um novo ciclo, correspondente à onda 1 (Out/2002 a Jan/2004) tem amplitude bastante semelhante aos movimentos de alta da tendência de 1991 a 1997. Sabe por que? Porque o Índice Bovespa costuma ter movimentos de alta com esta amplitude conforme nos mostra a sua história regressa espelhada no gráfico abaixo.

Gráfico 1 (escala em Reais)
(*) - Nota do autor: Devido ao fato de que o gráfico mencionado é corrigido pelo Dólar Comercial, o valor de 55.000 da previsão acima refere-se às cotações de hoje dessa moeda. Caso o Dólar suba, esse valor irá subir e vice-versa. A curva do gráfico acima entretanto ficará inalterada mudando apenas os valores da escala. Para uma melhor compreensão, note por exemplo no gráfico acima, o fundo do final de 2002 que está hoje a 5.00. Esse é seu valor real em dólares com base na cotação de hoje, pois seu valor nominal (aquele que foi publicado no jornal em outubro de 2002) de 8.370, quando da elaboração do gráfico, foi dividido pelo Dólar do dia 16/10/2002 (3,92) e multiplicado pelo fechamento do Dólar comercial de hoje ou melhor, do último pregão que foi ontem 01/08/2005 (2,369). O valor abaixou dos 8.370 nominais para os 5058,30 reais, porque dividimos essa cotação do Índice Bovespa do passado, por um valor maior (3,92) e multiplicamos por um valor menor  (2,902). Se o dólar tivesse subido neste período ao invés de ter baixado, o valor nominal de 8370 teria subido proporcionalmente. Esta é a maneira de corrigir um gráfico em dólar mantendo a escala em Reais. A outra maneira de corrigir um gráfico com a cotação do dólar é dividir todas as cotações pelo dólar do dia quando então a escala ficará em dólares. Os Gráficos 2, 3 e 4, têm sua escala em dólar.
 

O fato é que não temos porque acreditar que o segundo movimento de alta deste novo ciclo, o que começou em Maio de 2004 e que acreditamos será a onda III deste novo ciclo, será menor em amplitude do que o movimento que o precedeu (Out/2002 a Jan/2004). Falando um pouco dos fundamentos, devemos lembrar, que o primeiro movimento aconteceu com a expectativa de que o presidente Lula faria um bom governo no que diz respeito à Bolsa de Valores. Leia-se Economicamente! Já o segundo movimento está ocorrendo quando já se sabe que a economia tem sólidas bases como temos podido constatar com os constantes índices econômicos publicados e ainda os comentários do FMI e do presidente do Banco Central.

Tecnicamente falando, temos a favor desta hipótese o fato de que geralmente, conforme atesta a teoria de Elliott e pode-se constatar facilmente, numa observação de gráficos históricos, o segundo movimento de alta de uma tendência (a onda 3) é geralmente maior do que a primeira onda e muitas vezes maior que o terceiro movimento de alta (onda 5). Sim, porque a primeira onda é aquela em que o exército dos comprados ainda está ressentido de ter apanhado tanto na tendência de baixa anterior. Já no segundo movimento os comprados estão muito mais confiantes.

O Triângulo Ascendente
Outro aspecto que pode ser constatado no gráfico abaixo e que indica que o atual movimento de alta ainda tem muito para subir, é o fato de que formou-se nos últimos 6 meses uma acumulação que tem características de Triângulo Ascendente e que costuma dar continuidade ao movimento que o precedeu (de alta). Um outro Triângulo Ascendente com características muito parecidas com este ocorreu em 1996 no final da onda V do ciclo 1991/1997 conforme o destaque no Gráfico 1 . Observe o que ocorreu após o rompimento do Triângulo de 1996. Os preços subiram violentamente. É exatamente isso que acredito deverá ocorrer no Índice Bovespa a partir de agora, uma grande e última alta nos moldes da que ocorreu após o Triângulo de 1996 ou ainda, observando o passado mais recente do Índice, igual ou parecida à que ocorreu no final de 2003. Está alta deverá preceder uma correção mais acentuada do Índice Bovespa mas até lá, deveremos ter uma alta de pouco mais de 100% conforme já afirmei acima.

O novo ciclo de alta e suas tendências secundárias
No Gráfico 2 abaixo, podemos observar melhor o primeiro movimento de alta da Tendência de Alta de Longo prazo atual, iniciada em Out/2002 que foi composto por 5 ondas secundárias de alta (1, 2, 3, 4 e 5) compondo a primeira onda primária (onda 1) de alta que precedeu as três ondas do movimento corretivo que compôs a onda 2. O fato da resistência do Triângulo Ascendente ter sido rompida hoje conforme iremos constatar com mais detalhe no Gráfico 3, confirma a análise de que a onda 3 deste novo ciclo ainda não terminou. Deveremos ainda ter a onda 5 (secundária) para terminarmos a onda 3.

É muito importante também o fato que a resistência do Triângulo Ascendente coincide com o topo da Bolha do Nasdaq constituindo-se numa resistência "nota 10", que só consegue ser rompida se os comprados estão muito, muito fortes. O pregão de hoje "falou alto" para o Analista Técnico, no sentido que os comprados estão de fato muito fortes. Outro aspecto que para bom "entendedor de fundamentos" é também bastante esclarecedor no sentido da força dos comprados, é o fato que o mercado não deu nem bola para a crise política que o Brasil vive neste momento com o depoimento do Deputado José Dirceu no Conselho de Ética coincidindo com o mercado rompendo está tremenda resistência do Triângulo Ascendente. Perceba a força dos comprados. Não fosse para "tomar o rumo", não acredito que haveria força suficiente para romper tão importante resistência.

Gráfico 2 (escala em reais)
 
Os bastidores do Triângulo Ascendente e seu rompimento
Note que no Triângulo Ascendente (Gráfico 3), o exército dos comprados vai ficando paulatinamente mais agressivo do que o dos vendidos que estavam vendendo sempre a US$11000 (na taxa de hoje R$ 26.000). Os comprados por sua vez entraram comprando inicialmente a US$ 8700, depois a US$ 9400, a US$ 9700 e finalmente a US$ 10000. Eles estavam indo cada vez com mais "sede ao pote". Ora, hoje os vendidos perceberam isto e passaram a só vender a níveis mais altos. Os comprados acompanharam e a resistência foi rompida.É importante notar que logo acima da resistência os comprados não terão mais que duelar com as ordens de venda que estavam logo abaixo da resistência do Triângulo Ascendente e por outro lado, terão a ajuda de centenas de ordens de stop (das posições dos vendidos) que ou estão já colocadas nos sistemas de "Trade" online ou estarão pipocando como a "ascender luzinhas" na cabeça dos participantes do mercado que nos últimos 6 meses observaram os preços baterem 4 vezes nos US$ 11000 e caírem 14%, 12%, 11% e 8%. Desta vez os preços não caíram, estão acima da resistência. Ora bolas pois acho que então vão subir, é o que irão pensar muitos dos investidores no meu entender.Após o rompimento de um Triângulo Ascendente portanto, com a ausência das ordens de venda que estavam abaixo da resistência e ainda as ordens de stop que devem estar logo acima da mesma, junta-se "a fome com a vontade de comer" e os preços geralmente partem em disparada. O aumento do volume que já começou hoje e que deverá continuar a subir nos próximos dias confirma esta análise e logo colocará os comprados numa posição de terem muito lucro no papel que então irá provocar um processo de realização de lucro com a formação de uma Bandeira, que é o "acidente técnico" natural que acontece logo após os Triângulos Ascendentes. Vale notar que geralmente forma-se duas Bandeiras que é o que basta para os mais desconfiados realizarem seus lucros. Após duas bandeiras os preços costumam ter uma alta mais acentuada conforme ocorreu no final de 1996 após o Triângulo Ascendente mencionado acima.

O objetivo do Triângulo Ascendente
O Triângulo Ascendente após sua confirmação que acredito ocorreu hoje, projeta um objetivo inicial que é igual à sua altura, conforme destacado em azul no Gráfico 3 abaixo. Este objetivo é considerado como sendo dos mais precisos da análise técnica e os preços muitas vezes atingem rapidamente este objetivo onde geralmente ocorrem Bandeiras ou Retângulos antes dos preços partirem para seu objetivo de longo prazo, razão pela qual acredito que o nível de 13.500/14.000 em dólares deverá oferecer resistência. Vale dizer que o nível de US$ 12972 corresponde ao topo da crise da Ásia (lembrando que é em dólares) e deverá também oferecer resistência já que da última vez que este nível foi atingido o Índice Bovespa caiu inicialmente em torno de 75% (Crise da Ásia mais crise da Rússia), ainda que já se vão quase 8 anos que isto aconteceu.

Gráfico 3 (escala em dólares)
 

O fator tempo. Quando chegará lá?
As previsões da análise técnica, como a de alta de 100% de alta que ela nos proporcionou acima, geralmente são tão grandes e fartas, que os analistas não se aventuram a imaginar, quando os níveis previstos serão atingidos. Não vejo porque, entretanto, não se possa utilizar o passado recente do Ibovespa para tentar entender o que, digamos assim, é possível de acontecer no futuro. Para tal vamos imaginar que após o rompimento do Triângulo Ascendente os preços repitam o que fizeram a partir de agosto de 2003 (reta verde), até janeiro de 2004. Note que a coincidência destas datas com as atuais não implica necessariamente nada em termos de sazonalidade do Ibovespa, sendo apenas uma simples coincidência.O fato é que se o Índice Bovespa pôde ter um comportamento como este no primeiro movimento de alta, ele tem ainda mais razões para repetí-lo agora que se encontra neste segundo movimento de alta. Bem, continuando nosso pequeno exercício de futurologia ou como digo em meus cursos, "análise técnica de padaria", caso este comportamento se repita (eu acredito que pode ser ainda mais agressivo) acontecerá no futuro o que está indicado na reta verde (cópia fiel da anterior) que se estende para o futuro a partir de hoje quando acredito que foi confirmado o rompimento do Triângulo Ascendente.A reta verde encontra o objetivo de alta de US$ 23.000 (ou R$ 55.000,00, com base na taxa de 2,40 Reais por Dólar) em qual data futura?
Bem, o Terminal Enfoque ainda não tem implantado o recurso (em breve terá) de projetar as datas futuras na escala de tempo, mas com a reta horizontal vermelha resolvemos este problema.
Veja abaixo uma reta horizontal vermelha idêntica à de cima que começa em agosto (2004) ela termina em janeiro, nos levando a crer que o objetivo de alta que estou projetando, poderá ser atingido no início de 2006

Vale notar que quando se captura a reta verde usando o recurso disponível no terminal Enfoque, constata-se que este tipo de comportamento agressivo de alta é bastante comum no Índice Bovespa, tendo ocorrido diversas vezes no passado recente, como se pode também observar no Gráfico 1.

Gráfico 4 (escala em dólares)
 
 

Armadilha para comprados? 
É claro que a análise acima pode estar errada e que os preços podem voltar para dentro do Triângulo Ascendente. Quando nos propomos a prever o comportamento futuro dos preços, temos que lembrar que estamos lidando com o imponderável pois muitas coisas podem acontecer. Se de fato o rompimento ocorrido hoje não se confirmar amanhã ou nos próximos dias e os preços caírem ao invés de subir estaremos diante de um quadro bastante baixista já que após terem a faca e o queijo nas mãos os comprados terão falhado em dar continuidade à alta e isto é muito baixista. Esta possibilidade entretanto é bastante remota na minha opinião, dado o rompimento significativo ocorrido no pregão de hoje conforme se observa no Gráfico 3 acima.

Devemos ter em conta também que esta análise como toda e qualquer análise técnica ou fundamental, leva em conta o conjunto de fatores fundamentais que está afetando o mercado de ações Brasileiro no momento. Caso este cenário seja modificado, com mudanças na macroeconomia Brasileira para citar apenas uma dentre muitas possibilidades, está análise, assim como todas as outras, terá que ser refeita.
Felizmente os fatores fundamentais não mudam a toda hora e no momento, a análise técnica está a nos dizer que eles estão favorecendo tremendamente o exercito dos Touros

Bom segundo semestre e boa sorte!

Voltarei quando tivermos novos importantes fatores técnicos.

 

Fausto de Arruda Botelho CFTe; CNPI
Certified Financial Technician – IFTA
Certificado Nacional de Profissionais de Investimento - registrado na CVM
Diretor Geral da Enfoque Informações Financeiras Ltda. (Enfoque).

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