|
São Paulo, 10 de julho de 2007
Análise Bovespa.
A Onda III da tendência de alta iniciada em outubro de 2002 está em seu último movimento de alta,
após o qual é provável uma correção acentuada para a faixa de proporções fibonacci.
O S&P futuro deu hoje uma indicação de baixa, que me leva a crer que esta correção já começou.
Em minhas duas últimas análises de julho de
2006 e dezembro de
2006, nas quais errei, pois previ uma baixa que ainda não ocorreu, eu havia
imaginado que a Onda III (ou o
segundo movimento de alta) da tendência de alta de longo prazo iniciada em
outubro de 2002 tinha acabado e que teríamos uma correção mais acentuada. Na época
eu estava com o canal que se vê na Figura 1 abaixo traçado no meu gráfico. O
canal havia sido rompido e imaginei que o Ibovespa iria corrigir para dentro da
faixa Fibonacci que na época começava em 27.000 pontos e que hoje, com a queda
do dolar, está na faixa de 24.500 pontos.
Na ocasião mostrei
que o bovespa tem sistematicamente feito correções de proporções Fibonacci,
toda vez em que no passado (desde 1963) ele teve movimentos com as dimensões
das atuais altas.
Como após o primeiro movimento de alta de outubro de
Faz pouco mais de um mês que tracei em meu gráfico do
Ibovespa a reta mostrada no gráfico
da Figura 2 que corresponde a uma nova realidade para mim e mantém minha
análise de que deveremos ter uma correção mais acentuada num futuro próximo, se
não já, como parece estar indicando a análise do S&P (aquele ao qual todos os
mercados estão atrelados).
Figura 1 – Reta suporte com canal de alta inicial -
errada
O que a reta traçada no gráfico da Figura 2 indica, juntamente
com os segmentos verdes que mostram tres movimentos de alta com variação
percentual idêntica, a partir de maio de 2004, é que ainda estamos na Onda III (segundo movimento de alta) da
tendência inciada em outubro de 2002. Veja o grafico da tendência toda (outubro
de 2002 até hoje) na Figura 3.
Em termos do médio prazo, estamos em meu entender, especificamente, na onda 5
da Onda III ou seja no
último movimento de alta antes de uma correção do movimento iniciado em maio de
2004.
Ocorre que se o topo deste movimento já foi formado, como
está indicando a análise do S&P abaixo, que motivou a elaboração deste
relatório, a correção da Onda III deve levar o Ibovespa para dentro
da faixa fibonacci (conforme mostrei em minha última
análise) que se situa hoje no nível de 30.000 pontos. Sei que muitos
ficarão chocados com este número, mas uma análise no gráfico da Figura 4 mostra
que houve dezenas de precedentes iguais ou mostrando quedas ainda maiores.
Num momento em que a maioria dos agentes financeiros está
extremamente otimista especialmente
O importante em meu entender é não descuidar do risco
implícito nos mercados de renda variável e manter as posições sempre protegidas
com ordens de stop. Não se pode esquecer nunca também que os mercados são
soberanos e muitas vezes têm razões para seus movimentos que a grande maioria
do público desconhece. Vale lembrar entretando que uma tendência de alta só
termina quando é revertida e essa atual ainda não foi revertida. Eu apenas acho
que existem chances de que ela esteja por ser revertida mas o S&P deve
romper seu suporte a 1500 para que essa análise se confirme.
Figura 2
– Reta suporte da
onda III, segundo minha análise atual
A Figura 3 abaixo mostra toda a tendência de alta de
longo prazo inciada em outubro de 2002.
Figura 3
– A tendência toda desde out/2002
A Figura 4 abaixo mostra o gráfico mensal das ações
brasileiras desde 1963. Veja como desta perspectiva a correção para dentro da
faixa fibonacci (As 3 linhas verdes horizontais do meio) parece mais plausível.
Seria uma correção parecida em amplitude (variação percentual) com as que
ocorreram em 1994, também numa
Onda III, da tendência de
alta longo prazo ocorrida de
Figura 4
– A tendência secular da bolsa Brasileira de ações
A análise do S&P futuro cujos gráficos aparecem nas Figuras 5 e 6 mostra uma formação candlestick (Figura 6) chamada estrela da tarde que costuma ser um topo principal. Essa formação, se confirmada amanhã dia 11/07 com um candle negativo e especialmente se provocar o rompimento do importante suporte a 1500, estaria indicando a reversão da atual tendência de alta de curto prazo e possivelmente a de médio prazo também. Note também que o S&P está na parte de cima do canal em que tem se mantido desde o início de 2004.
Figura 5
– S&P Futuro
O S&P é o mercado que move o mundo. Hoje ele mostrou
claramente que as forças de vendas ou os Ursos, após um longo período em que
estiveram dominados pelos Touros, começaram a ficar mais fortes já que
conseguiram fazer um fundo inferior ao último fundo e agora um topo inferior ao
último topo que mostra ao mesmo tempo força dos vendidos e perda de força dos
comprados. Essa situação é típica de um topo de mercado. Nos próximos dias isso
irá (ou não) se confirmar.
Um fechamento acima de 1560 nos próximos dias, que acredito
improvavel, anularia esta análise e teria conotação deveras altista. Por outro lado, um outro
fechamento nas mínimas do dia amanhã confirmaria a análise acima e seria em meu
entender o stopim da correção mais acentuada que acredito irá ocorrer.
O importante dessa análise em meu entender é que o Ibovespa
tem um potencial de correção muito grande que poucos investidores tem
conciência.
Figura 6
– S&P Futuro atualizado até 10/07/07
Quero mostrar ainda uma análise de longo prazo do Dow Jones
que considero muito interessante para “pensar em casa”.
O Americano não tem cultura de inflação como nós Brasileiros
e por isso, a maioria dos seus softwares de análise técnica, não fazem indexação nos
gráficos. Assim, a Figura 7 abaixo mostra o gráfico diário do Dow Jones que os
Americanos estão vendo. Nele, os preços estão em “mares nunca
d’antes navegados” ou seja, bem acima do topo da bolha do Nasdaq
ocorrido em 2000.
Figura 7
Na Figura 8 abaixo, entretanto, vemos o mesmo gráfico
indexado pelo índice de inflação americano, o “CPI - Consumer Price
Index”. Como se nota, na verdade quando se desconta a inflação, o Dow Jones
ainda não rompeu o topo de 2000.
Figura 8
No gráfico abaixo indexamos o Dow Jones ao que podemos
chamar de valor: Ouro! O
resultado é uma tendência de baixa que se iniciou em agosto de 1999, ou seja, 5
meses antes do topo do Nasdaq. Do topo de 1999 ao fundo de 2006 o Dow Jones já
perdeu 64%. Bem, como eu disse, esta é para pensar em casa. Eu já pensei
bastante e acredito que este gráfico pode muito bem estar indicando o caminho
futuro do Índice Dow Jones indexado em CPI.
Figura 9
Boa sorte nos mercados!
Fausto de Arruda Botelho CFTe; CNPI Em conformidade com as disposições da Instrução CVM nº 388, eu Fausto de Arruda Botelho, analista de investimento responsável pela elaboração deste relatório declaro que:
|