RECICLAGEM: Exportação de sucata chega a 811 mil/t em 2025
SÃO PAULO, 12/9/25 - As exportações de sucata ferrosa, insumo utilizado na fabricação do aço, alcançaram de janeiro a novembro deste ano 811 mil toneladas, aumento de 25,1% em relação a igual período de 2024, quando atingiram 648 mil toneladas. O volume exportado neste ano, apenas o excedente não utilizado no Brasil, já supera o recorde de 800 mil toneladas registrado em todo o ano de 2023 e preocupa as empresas de reciclagem, diante de um cenário interno de crise na cadeia de aço.
Apenas em novembro último, as vendas externas de sucata somaram 72.051 toneladas, alta de 58,9% em comparação ao mesmo mês de 2024, com volume de 45.338 toneladas, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.
O aumento das vendas externas de sucata ferrosa é a única alternativa das empresas recicladoras diante das dificuldades no país. A crise na cadeia de aço, com a entrada no Brasil de grande volume de produto chinês (cerca de 6 milhões de toneladas ao ano, para um mercado total de 36 milhões), além do Egito e Turquia, desestruturou a indústria brasileira nos últimos anos e tem levado à queda nas compras de sucata ferrosa no mercado interno desde o começo de 2025.
Conforme levantamento da primeira semana de dezembro feito pela S&P Global Platts, agência americana especializada em fornecer preços-referência e benchmarks para os mercados de commodities, o mercado interno está muito fraco. 'As siderúrgicas estão fazendo pouquíssimos esforços para receber o produto; já não vendemos para elas há algum tempo", afirmou um reciclador, acrescentando que 'muitas empresas já pararam e inúmeros participantes do mercado desistiram de 2025".
'As exportações são a única forma de as empresas e catadores (mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o País) manterem as operações em funcionamento', afirma Clineu Alvarenga, presidente do Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras que praticam a sustentabilidade e impulsionam a economia circular, reinserindo materiais reciclados no ciclo da transformação.
Segundo ele, 'a indústria brasileira de aço está definhando, com a concorrência chinesa, impactando negativamente os recicladores e catadores, este último o elo mais frágil da cadeia. Somos a favor de um mercado livre, mas com o produto chinês, subsidiado pelo governo há vários anos, não tem como concorrer, há uma competição desleal', diz Alvarenga.
O Inesfa defende também que fique no Brasil a sucata ferrosa pronto para uso, que hoje vem sendo exportada. 'Vejo com tristeza a sucata pronto para uso, que proporciona melhorias no processamento, agilidade da produção e aumento da rentabilidade, ser exportada, em detrimento da indústria nacional', afirma Alvarenga.
PEC da Reciclagem
Para amenizar a crise, o Inesfa está apostando todas as fichas na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reciclagem nº 34/2025, de autoria do deputado federal Arnaldo Jardim. A PEC, que propõe alterar a Constituição Federal para corrigir distorções ocasionadas pela reforma tributária e assegurar aos insumos reciclados tributação inferior a incidente sobre matérias-primas virgens extraídas da natureza, já foi instalada e aguarda a criação de uma comissão especial por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, onde a proposta deverá ser analisada.
Para as usinas siderúrgicas, a PEC também trará expressivos benefícios, já que terão crédito de cerca de 27% na aquisição de materiais reciclados.
Segundo o presidente do Inesfa, 'a PEC trará alívio a toda a cadeia produtiva do aço (usinas siderúrgicas, recicladores e catadores) e reduzirá o impacto do aumento das importações de aço chinês, tornando o segmento da siderurgia mais competitivo internamente. A proposta é também essencial para a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), economia circular e preservação do meio ambiente'.
(Redação - Agência Enfoque)




