ICOMEX: Alta das exportações impulsiona superávit comercial no 1S26
SÃO PAULO, 7/15/26 - O superávit da balança comercial no primeiro semestre de 2026 foi de US$ 42,4 bilhões, US$ 12,2 bilhões acima de igual período de 2025. Na comparação interanual mensal, o saldo da balança comercial superou os resultados de 2025, exceto em março. Em junho de 2026 o saldo foi de US$ 9,8 bilhões, US$ 3,9 bilhões superior ao de junho de 2025.
As principais contribuições para o aumento do superávit são do comércio com a China (aumento de US$ 7,6 bilhões), União Europeia (aumento de US$ 3,1 bilhões) e o resto do mundo, US$ 4 bilhões. Nos Estados Unidos, o déficit passou de US$ 1,6 bilhões para US$ 1,5 bilhões. E na Argentina o superávit caiu US$ 2,1 bilhões, entre os dois primeiros semestres de 2025 e 2026.
Análise geral dos fluxos de comércio e das commodities: crescem os preços das commodities
O conflito no Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e seus impactos nas cadeias de suprimento global, levaram a uma aceleração nos preços do comércio internacional. No Brasil, a aceleração no aumento de preços foi mais acentuada nas exportações. No acumulado do primeiro semestre, os preços exportados aumentaram 15,4% e o das importações, 9,8%, em relação ao primeiro semestre de 2025.
A variação no volume exportado apresentou uma tendência de alta desde abril, chegando a 8,3% na comparação do mês de junho e no acumulado do semestre de 4,2%. O comportamento do volume importado variou, apenas queda no início do ano, foi registrado um pico de variação em março e depois aumentos abaixo de 5% e queda em maio. Na comparação dos primeiros semestres, o volume importado aumentou 0,3%.
Até junho, o desempenho em termos de variação do volume e dos preços foi mais favorável às exportações em relação às importações.
As exportações de commodities explicaram 67% das exportações do primeiro semestre e 69%, das vendas em junho. As importações de não commodities cerca de 92% em junho e no primeiro semestre.
O aumento em volume das exportações no semestre foi liderado pelas commodities (5,1%) e os preços das exportações de não commodities superaram os das commodities. Em junho, a mesma tendência no volume se verifica, mas os preços das exportações de commodities supera o das não commodities.
Chama atenção, a variação nos preços e volume das importações de commodities. No acumulado até junho, as variações eram de 18,9% e recuo de 6,6%. Na comparação interanual de junho passam para 41,8%, preços, e queda de 26,5% no volume. Para as não commodities, os preços sobem 7,3% e o volume 7,4%, em junho. Como as importações de commodities são ao redor de 10% das importações totais, o efeito sobre o preço total importado é menor do que o efeito do aumento dos preços das commodities nos preços totais exportados.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, em junho as importações de adubos ou fertilizantes recuaram 20,1%, em quantum (quilos), e os preços subiram 26,1%. O quantum do óleo combustível caiu 29,7% e os preços subiram 54,5%. Adubos e óleos combustíveis foram o segundo e o terceiro principal produto importado.
Análise por atividade econômica
Na comparação do primeiro semestre e, em junho, a indústria extrativa lidera o volume exportado, com variações de 10,0% e 13,4%, respectivamente. Em junho, o desempenho da agropecuária foi de dois dígitos, uma variação de 10,6%. A variação no volume exportado pela transformação foi o menor entre os setores de atividade. Os maiores aumentos de preços de exportações estão associados à indústria extrativa aumentaram 40,1% e 13,3% explicado pela alta do preço do petróleo, como destacaremos na seção sobre petróleo.
Parte das exportações da indústria de transformação são commodities, cerca de 48%. A variação no volume dessas exportações de commodities supera o das não commodities. É uma tendência já antes observada, de aumento da 'commoditização' da indústria de transformação.
Nas importações, o volume aumenta apenas para a transformação e cai para as demais atividades. Novamente o conflito do Irã aparecer refletido no aumento dos preços da indústria extrativa, 45,3% em junho.
O destaque das importações da indústria de transformação são as importações de bens duráveis que crescerem em volume, 75,6% na comparação dos primeiros semestres e 60,0%, em junho. Esse resultado é explicado, principalmente, pelas importações de carros elétricos da China, que voltaram a ser taxados em 35%, a partir de 1º de julho. O governo federal prorrogou a isenção de imposto de importação, mas apenas para kits de carros elétricos (desmontados e semidesmontados) com validade até o fim de 2026, limitada a uma cota global de US$ 463 milhões.
As compras de bens intermediários e de bens de capital são indicadores de nível de atividade dos setores. O volume importado de bens intermediários recuou na indústria e na agropecuária nos períodos analisados. Observa-se uma queda menor na indústria (1,6%) do que na agropecuária (21,0%) no mês de junho. Por outro lado, as compras de bens de capital pela agropecuária cresceram 32,0% e da indústria 7,1%, em junho, o que sugere maiores investimentos na agro em antecipação às futuras safras.
Análise por mercados
A variação em valor por principais mercados foi positiva, exceto para os Estados Unidos e a Argentina, na comparação interanual dos dois primeiros semestres de 2025 e 2026. Tanto para os Estados Unidos e a União Europeia, o volume exportado recuou em 17,0% e 21,2%, respectivamente. A contribuição para o aumento do valor exportado foi liderada pelos preços no caso da China e da União Europeia. Na China, a variação dos preços foi de 11,1% e do volume de 10,8%, mas na União Europeia a diferença foi maior: preços, 8,8% e volume 3,9%. Para 'Demais Ásia' e 'Demais América do Sul', o aumento do valor foi puxado pelo volume, 13,5% e 10,7%, respectivamente.
No caso das importações, a variação em valor foi positiva para a China, Argentina, 'Demais Ásia' e 'Demais América do Sul'. As maiores contribuições em termos de volume para o aumento do valor estão associadas à China e 'Demais Ásia'. Os Estados Unidos registraram a maior retração no volume importado (28,4%).
Os tarifaços de Trump reduziram a participação dos Estados Unidos tanto nas exportações (de 12,1% para 9,4%) como nas importações (de 16,0% para 13,3%) entre os dois primeiros semestres de 2025 e 2026. Os maiores ganhos ficaram com a Ásia (42,7% para 46,3%, sendo China de 28,9% para 31,6%) nas exportações. Nas importações o aumento foi de 39,1% para 42,3%, Ásia, e 26,3% para 27,1%, China. O ganho da União Europeia nas exportações foi de 0,2 pontos percentuais, de 14,4% para 14,6% nas exportações e nas importações caiu de 18% para 17%.
Análise do setor de petróleo.
A balança comercial de petróleo e derivados do Brasil passou de um superávit de US$ 15,3 bilhões para US$ 22,0 bilhões entre os dois primeiros semestres de 2025 e 2026.
O aumento do preço do petróleo bruto favoreceu o Brasil, pois como o volume importado caiu, o saldo comercial foi positivo com o aumento do volume exportado. O superávit passou de US$ 18,3 bilhões para US$ 24,6 bilhões.
No caso dos derivados de petróleo, o comportamento foi similar ao do petróleo bruto com aumentos de preços e redução no volume importado. O déficit caiu de US$ 3 bilhões para US$ 2,6 bilhões.
(Redação - Agência Enfoque)




